quinta-feira, junho 14, 2007

desabafo.

Quanto mais o tempo passa, mais você tem a certeza de que ele não vai voltar.
Aí ficam as lembranças que te fazem dar risada, as que te fazem chorar, as que te fazem querer voltar no tempo, as que te dão mais saudade.
Como o contato faz falta. O olhar, as broncas, as piadas, o abraço. Ah... O abraço. Agora eu sei como é essa tal saudade que dói. Eu pensei que já houvesse sentido esse tipo de saudade, mas não fazia nem cócegas. E eu sei porque dói. Sei que é porque o tempo que passa, é o tempo em que a "ficha" começa a cair mais e mais, e passam-se dias, e ele não volta. E passam-se semanas, e ele não volta. E vão passar anos, e ele não vai voltar. E vai passar o resto da minha vida, e ele não vai voltar. E eu só espero me tornar alguém do qual ele se orgulhe. Porque eu tenho certeza que ele já estava orgulhoso de todo mundo da minha família, já "cresceram", já criaram uma certa estabilidade, já até criaram uma nova família (ou melhor, deram continuidade a esta família).
Agora o que dizer de mim... Ainda tão dependente de tudo. Ainda me desprendendo das barras-de-saia de mamãe. Eu já tenho uma certa idade "pesante" nas costas, não sou mais criança. Mas eu ainda não me mostrei pro mundo.E eu contava tanto com meu pai para ver isso acontecer. E poder ver nos olhos dele o que ele sentiria quando isso acontecesse. Eu sempre senti uma necessidade de provar algo a ele. E eu senti que isso estava começando acontecer. Eu me sinto agradecida por ele ter visto o começo, ao menos. Ou, devo dizer... Sinto-me agradecida por eu ter tido a chance de vê-lo nesse meu começo e saber, não exatamente e diretamente dele, que ele estava satisfeito com meu trabalho e com a pessoa que eu estou começando a me tornar.
Mas eu já sinto a falta de sair do meu apartamento (nem sei porque disse "apartamento" se eu acho que prefiro casa), daqui a tantos anos e ir pra casa de meus pais e contar empolgada sobre como tem sido meus dias, sobre como tem sido minha vida, mostrá-los quem eu me tornei, e que devo tanto a eles. E poder dar esses abraços que matam essas saudades que nascem de uma vida corrida e cheia de responsabilidades, quando passa uns dias sem ver alguem que ama. E ter conversas sobre novos planos, e sobre os planos que eu já concretizei. Não desmereço minha mãe nem tão pouco meus irmãos. Mas é incrível como agora eu me dou conta de que isso realmente acontecia. "Isso"... A minha necessidade em provar algo a ele.




New Radicals - Crying Like A Church On Monday